sexta-feira, 13 de julho de 2007

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O gosto pela música surgiu em tenra idade, nos convívios familiares, tendo desde muito cedo revelado um interesse muito especial pelo jazz e pela bossanova.

Fruto de uma personalidade marcada pela humildade e pela modéstia, tal como pela auto-exigência, Paulo Correia, inicialmente autodidacta, desde sempre manifestou uma enorme vontade de aprender e de partilhar conhecimentos com os seus colegas músicos.

Deu os primeiros passos da sua carreira musical no início dos anos 70, com 15 anos, em convívios e actuações ligadas à vida estudantil no Liceu de Jaime Moniz, no Funchal.

Em 1974, com os “Contacto”, venceu a Mostra Estudantil de Música Pop, realizada no referido Liceu e, a partir daí, começou a fazer actuações em locais públicos, tocando regularmente em várias unidades hoteleiras.

Entre 1977 e 1981, viveu no continente, tendo então interrompido a sua carreira musical para tirar o curso de Turismo no Instituto Superior de Línguas e Administração e cumprir o serviço militar obrigatório.

Embora a sua vida profissional tivesse estado sempre ligada ao ramo do turismo em agências de viagens, tendo vindo a ocupar, nos últimos 10 anos, o lugar de Director de Exportação na Agência de Viagens Blandy, o regresso à vida musical e ao palco dos hotéis verificou-se imediatamente após o seu regresso à Madeira e estendeu-se por um novo período de mais de 25 anos.

Entretanto, quando em 1999, o Conservatório – Escola das Artes da Madeira firmou um protocolo com a Escola de Jazz Luís Villas Boas, do Hot Clube de Portugal, inscreveu-se no 1º Curso de Jazz aí ministrado. A partir de então, o Jazz passou a dominar por completo e em definitivo os seus interesses musicais e as suas actuações.

Em 2002, ano em que terminou o curso, foi convidado para leccionar a disciplina de Piano Complementar nesse mesmo curso, actividade que manteve até Dezembro de 2006.

Paralelamente à actividade lectiva, os últimos anos foram de intensa actividade, tendo tocado com a maior parte dos músicos da nova geração do Jazz na Madeira, muitos dos quais seus alunos, além de ter mantido uma estreita parceria, sempre na área do Jazz, com o velho colega e amigo João Sousa. Com este baterista, Paulo Correia apresentou-se, com alguma regularidade, num quinteto do qual faziam parte o trompetista João Moreira, o contrabaixista Bernardo Moreira e o guitarrista Bruno Santos, segundo o qual:

O Paulo, além de ser das melhores pessoas que conheci na vida, era um amante da música e mais concretamente do jazz e da bossanova. Foi por aí que nos conhecemos e foi através da música que tive o privilégio de privar com um grande senhor. Um cavalheiro como já não existe. Em relação à sua paixão musical, aquilo que sempre senti quando tocávamos juntos era o amor e autêntico gozo que tinha pelo jazz. Nunca esquecerei a sua expressão radiante ao tocarmos o "Tangerine" em bossinha, como ele tanto gostava. Na verdade, nunca esquecerei esse autêntico gigante, na música e na vida.


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Ver também (tributo de Ricardo Dias a Paulo Correia): http://ricardojtdias.blogspot.com/2007/02/paulo-correia-1959-2007.html


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4 comentários:

Festival Couple disse...

Bem, parece que me cabe a honra de estrear este blog em tua homenagem, querido amigo. Conforme já te tinha dito no outro blog, foi com uma alegria imensa que aceitei o simpatico convite do Paulo Barbosa para participar no teu tributo, e também o do Migeul Pires me encheu de alegrai. Se reparares, de repente tornei-me no musico mais importante da festa..,. Tou a brincar naturalmente. Mas será com muito, muito prazer que lá estarei a tocar a bossinha e nas vozes, naquelas que tu tanto gostavas que fizéssemos, os dois, ou três, ou quatro, enfim, todos quantos estivessem à volta de um piano... Um abraço.

Vasco de Andrade disse...

Ao Paulo Correia, um Amigo verdadeiro, um grande Músico, um excelente profissional, um Ser Humano na sua plenitude, manifesto a minha saudade e a minha vontade de estar presente na sua homenagem!
Vasco de Andrade

Festival Couple disse...

Chico Buarque escreveu em 'Tanto Mar' : " foi bonita a festa, pá / fiquei contente / ... / Eu quis estar na tua festa, pá / Com tua gente ... ". Não poderiamos ter encontrado palavras melhores para descrever o que se passou ontem : a tua família, amigos, colegas, conhecidos estiveram todos imbuídos do espírito de solidariedade, e sobretudo, de amizade que tinham e têm por ti. Eu, por mim, amigo, sinto que não te disse 'Adeus', porque não consigo despedir-me, antes um 'Até Já' da melhor maneira possível, a fazer aquilo que mais gosto : tocar e cantar. Um abraço grande do tamanho da ' forma ' do Teatro, como tão bem disse o Jorge Maggiore. Até já

Unknown disse...

Paulinho, só faltava a tua voz junto com a do Vieirinha, a do Zé Pereira e a minha... Mas estiveste lá connosco. Sim, porque só contigo lá é que conseguimos sentir as coisas boas que sentimos ontém.
Faço minhas as palavras de Charles Vieira: Até Já.
Miguel Pires